O “Puxa e Empurra” da decisão

  

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O aumento do número de estudantes internacionais, especialmente durante a última década, tem levado à realização de vários estudos que permitam compreender melhor as escolhas de quem prosseguir os estudos no estrangeiro. Fica aqui a conhecer algumas das conclusões

No método "Push and Pull", são distinguidas as razões que motivam ou “empurram” os estudantes a saírem dos seus países de origem (“Push”) e aquelas que cativam ou “puxam” os alunos a escolher um país de destino em específico (“Pull”) (ver quadro). Normalmente, os factores “Pull” iniciam a decisão internamente e os fatores “Push” tornam um país mais desejável.

Fatores "Push" - País de Origem:

- Falta de desenvolvimento das Instituições de Ensino Superior
- Áreas de estudo pouco desenvolvidas
- Qualidade insuficiente das qualificações
- Falta de oportunidades de emprego motivadas por estudos domésticos

Fatores "Pull" - País de Acolhimento:

- Oferta formativa mais diversificada
- Convívio com outros estudantes internacionais e professores de renome mundial
- Desenvolver as competências linguísticas
- Conhecer novas culturas
- Qualificações com melhor reputação nacional e internacional
- Uma forma de deixar o país de origem definitivamente

Fonte: Wilkins, S. and Huisman, J. (2011) International student destination choice: the influence of home campus experience on the decision to consider branch campuses, Journal of Marketing for Higher Education, 21(1), 61-83.

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Decisão pessoal, influência conjunta
Para além das razões ligadas às condições dos países de origem e de acolhimento, algumas investigações relembram a existência de elementos individuais, tais como os conhecimentos do aluno acerca do país de destino, as recomendações pessoais, as questões relacionadas com o custo (e a possibilidade de encontrar trabalho em part-time), a proximidade geográfica e as relações sociais. 

Nesta visão, mais centrada no aluno que toma a decisão, o foco está na influência exercida pela família, pelos amigos e pelos professores. Alguns estudos sugerem, por exemplo, que uma das principais influências na tomada de decisão são os conselhos e sugestões, transmitidos informalmente, de antigos alunos internacionais.

Os “destinos emergentes”
Analisando as escolhas dos alunos internacionais, para além de se notar um aumento do número total de estudantes no estrangeiro (de 2 milhões, em 2000, para cerca de 4.5 milhões, em 2011), regista-se, igualmente, um aumento do número de destinos.

Segundo a pesquisa promovida pelo Project Atlas – uma plataforma de recolha e divulgação de dados sobre mobilidade estudantil – os alunos internacionais estão a afastar-se dos destinos mais populares (os chamados hotspots como os Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha), permitindo, assim, o aparecimento de alguns “destinos emergentes”.

Também a OCDE, num relatório datado de junho de 2013, chega à mesma conclusão: “novos players surgiram no mercado de estudantes internacionais nas últimas décadas, tais como a Austrália, a Nova Zelândia, a Espanha, a Federação Russa e, mais recentemente, a Coreia do Sul”. Como consequência desta alteração, “a percentagem de alunos internacionais em países tradicionalmente mais procurados – como os Estados Unidos ou a Alemanha – decresceu.” A esse respeito, os números indicam uma queda na percentagem total dos alunos internacionais nos Estados Unidos de 23%, em 2000, para 17%, em 2011. A Alemanha, por sua vez, desceu três pontos percentuais, no mesmo período.

Atrair novos alunos
As conclusões da OCDE dizem também respeito aos fatores mais valorizados pelos alunos, no momento da escolha de um país de destino. De acordo com o estudo Como está a moldar-se a mobilidade de estudantes internacionais? (2013), a reputação de um país, bem como das suas instituições de ensino superior e cursos, pode ter um impacto crucial na decisão. As questões relacionadas com a língua e as políticas de imigração também desempenham um papel importante, tanto na tarefa de atrair possíveis alunos, como constituindo um obstáculo.

Tradicionalmente, os destinos de língua inglesa são os mais escolhidos. Por essa razão, a maioria dos países começaram a incluir cursos integralmente em inglês, de forma a contrariar este elemento. Simultaneamente, países como a Finlândia e a Noruega, numa tentativa de se tornarem mais atrativos, mudaram a sua legislação, levando em conta o tempo como estudante no processo de naturalização. Em sentido contrário, segundo a OCDE, estarão os Estados Unidos e o Reino Unido que têm, por sua vez, dificultado o acesso de estudantes internacionais.

A propina e a escolha
Segundo a OCDE, ainda que o valor de uma propina cobrada a um aluno possa ter impacto na decisão, a maioria dos países tem, gradualmente, subido o valor das propinas para os estudantes internacionais, relativamente aos estudantes domésticos.

Isto deve-se, na opinião dos investigadores, ao facto de as universidades privadas e públicas encontrarem nos estudantes internacionais uma forma de receita adicional. De resto, segundo dados da Comissão Europeia, para além das propinas, a própria economia do país acaba por alcançar receitas significativas com as despesas de alojamento e custo de vida dos alunos estrangeiro. No Canadá, por exemplo, as despesas globais dos estudantes estrangeiros contribuíram com mais de 8 mil milhões de dólares para a economia canadiana (2010) – um valor superior às exportações na área do alumínio em bruto (6 mil milhões) ou dos veículos de aeronáutica (6,9 mil milhões).

Os investigadores salientam, contudo, que o valor elevado da propina nem sempre implica uma menor atratividade, já que muitos alunos consideram essas condições justificadas, tendo em vista o acesso a um mercado de trabalho com maior número de oportunidades, por exemplo.

Nesse sentido, a OCDE relembra que, no total, e segundo os dados de 2008 e 2009, a taxa média de fixação de alunos internacionais nos países de acolhimento é de 25%. A Austrália, o Canadá, a França e a República Checa são os países onde essa taxa é superior, ultrapassando os 30%.