Tourism Academy #4: Da vinha à mesa

  

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O quarto dia da Academia do Turismo começou no topo das colinas do Douro Vinhateiro e terminou… debaixo das vinhas.

No final do século XVIII, George Sandeman – um escocês que comerciava vinhos em Londres – criava uma marca de vinhos do porto que duraria até hoje. A Sandeman tornou-se uma referência neste mercado, impulsionada pelo seu logótipo: uma figura que veste uma capa de estudante de Coimbra e um sombrero espanhol. 

“Este logótipo é uma das primeiras imagens de marca da história e é uma combinação entre as duas culturas e os dois países”, explicou a guia da Quinta do Seixo, Ana Portela, na visita que abriu o quarto dia de atividades da Tourism Academy. Situada nos arredores de Pinhão, esta quinta é propriedade da Sogrape – a empresa que, em 2002, adquiriu a Sandeman.

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Com regularidade, a empresa abre os portões desta quinta a turistas, com o objetivo, explica no seu site, de “atrair mais visitantes ao Douro e explicar um pouco mais sobre esta região”, “através da marca Sandeman”. Por essa razão, visitar o circuito turístico da Quinta do Seixo é também visitar a história da produção vinícola do Douro.

Da fundação da região demarcada do Douro às suas características geológicas, passando pelas diferenças climatéricas e produtivas internas, a visita à Quinta do Seixo permitiu aos estudantes saber mais sobre o mundo do vinho do porto, nomeadamente o seu processo de produção.

Uma das curiosidades reveladas diz respeito à proibição de rega das vinhas, tendo em conta as características geológicas do terreno que permite o armazenamento de águas naturais. O objetivo é fazer com que a vinha seja “obrigada a quebrar o xisto e a procurar os melhores nutrientes”, explicou Ana Portela. Apenas no caso de vinhas jovens (até 5 anos de idade) ou de seca extrema se abre uma excepção. 

A “poção mágica” da aldeia
A aldeia de Favaios localiza-se num dos pontos mais altos do Douro Vinhateiro. A 600 metros de altitude, está inserida numa zona de cerca de 1000 hectares planos. Estas características, explicou o guia da Enoteca da Quinta da Avessada – a segunda visitada hoje pelos estudantes – “permitem produzir uma uva diferente. Uma uva dourada de Moscatel”.

Por ano, garantiu o guia, Mithun Sousa, são produzidas 30 milhões de garrafas. “É muita coisa”, realçou, revelando depois o segredo para ter “uma boa uva e um bom vinho”: “Tratar bem a nossa terra”.

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A ligação da comunidade à produção deste tipo de vinho está patente no facto dos produtores locais se terem unido para a produção de um vinho batizado pelo nome da aldeia: Favaios. A Quinta da Avessada contempla ainda uma experiência imersiva, jogando com o vídeo, a luz e o som para fazer uma reconstituição do modo de produção desta – nas palavras de Mithun Sousa – “poção mágica”.

A atividade da quinta está hoje centrada no Enoturismo. De acordo com o proprietário da Quinta, Luís Barros, por aqui passam, por ano, 55 mil visitantes, sendo que 90% são estrangeiros. Durante uma breve conversa com os participantes, o empresário realçou que a complexidade da indústria do Turismo faz com que seja necessário “garantir um planeamento a longo-prazo”. “Neste momento, por exemplo, estamos a fechar o ano de 2020 – trabalhamos sempre dois anos à frente”, ilustrou.

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O guia Mithun Sousa (esquerda) e o proprietário da Quinta da Avessada Luís Barros (direita)

Neste empreendimento turístico, a fórmula passa por “mostrar o que somos e o que temos”. Foi em 2008 que se avançou para a requalificação desta quinta historicamente ligada à produção de favaios. O objetivo passa por, explicou, a partir desta história, “criar um cartão de visita para este e outros vinhos da região”. A afluência de turistas faz com que esta seja “uma porta de entrada na região do Douro”, concluiu.

Uma viagem pelo Douro
Depois de almoço, uma viagem. O ponto de partida foi fixado numa época distante, mais precisamente, há 400 milhões de anos. Isto porque, depois da visita ao terreno, o dia incluiu uma passagem pelo Museu do Douro, para melhor entender a história e o presente da região. 

A viagem começa nas características climatéricas e geológicas desta região que, ressalva o guia do Museu do Douro, Fernando Cardoso, “foi sendo conquistada pelo Homem à Natureza”. Um processo que se inicia há 25 mil anos, na pré-história, com “a lenta transformação do território”, alterando o terreno xistoso em área arável.

Inaugurado em 2002, o Museu do Douro tem morada, desde 2008, junto ao rio que lhe dá nome. É numa das ruas que ladeia o Douro, na cidade de Peso da Régua, que encontramos esta estrutura “que tem a obrigação de representar a região – a natureza, o vinho, o trabalho do Homem, bem como os outros produtos” e serviços, como o azeite e a amêndoa. "Ou, mais recentemente, o Turismo", explica Fernando Cardoso.

Toda esta riqueza é aqui preservada e poderá ser agora conhecida pelos participantes da Tourism Academy, acrescenta, uma missão que, de resto, está na génese do Museu do Douro: “É para isto que o museu nasceu”.

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Debaixo da vinha
Assim que as pesadas portas de madeira se abriram, uma aragem fresca soprou do interior das Caves da Raposeira. Já nos túneis escuros, entre milhares de garrafas de espumante, a guia Andreia Silva, explicou: “Estamos debaixo da vinha”.

O dia de visitas terminou nas Caves da Raposeira – a marca de um dos mais conhecidos espumantes portugueses, de portas abertas desde 1898. A temperatura fresca que se fazia sentir constitui uma das grandes vantagens deste tipo de estrutura, explicou a guia: “as caves estão sempre à mesma temperatura, durante todo o ano, e isso é muito importante para a segunda fermantação”.

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A viagem acompanhou o processo de produção: as uvas são provenientes dos 30 hectares de terreno pertencentes à Raposeira e ainda de 300 agricultores adicionais. Depois, é tempo de prensar. A primeira fermantação é realizada em cubos de inox, sendo depois adicionaadas as leveduras e o açucar que permitem a segunda.

A partir daqui, o espumante chega à garrafa. De onde nunca mais sairá até chegar à mesa. “Esta é a forma mais natural possível de produzir espumante”, explica Andreia Silva, que acrescenta: “as garrafas chegam a ter 7 bar de pressão”.

A visita continuou, sendo detalhadas as fases posteriores, como o congelamento do depósito, a remoção do gargalo e a rotulagem.

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O Futuro “5 Estrelas”
Para depois de jantar ficou reservado um momento de contacto com os diplomados da Escola de Hotelaria e Turismo de Lamego. Presentes na sessão, três diplomados das áreas de Alojamento, Pastelaria e Cozinha. Nas palavras de Miguel Duarte, Diretora da Área de Formação da EHTL, este será o melhor cartão de visita: “Eles tiveram a vivência da escola”.

Assim, durante cerca de uma hora e meia, os diplomados partilharam a experiência de estudar e trabalhar no setor do Turismo. O contacto permanente com várias culturas e as oportunidades de trabalho globalizadas foram alguns dos pontos destacados.

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